Juíza da corte do Brooklyn sugere sete anos de prisão pelos crimes cometidos por Marin na época em que foi presidente da CBF, entre 2012 e 2015. Sentença sai nesta quarta-feira
José Maria Marin está sendo
julgado neste momento na Corte Federal do Brooklyn, no Distrito Leste de Nova
York, pelos crimes cometidos na época em que foi presidente da CBF, de 2012 a
2015. No momento em que foi chamado para dar sua palavra, o cartola de 86 anos
se descontrolou e chorou copiosamente, obrigando a juíza Pamela Chen a
interromper a sessão por cerca de 10 minutos.
A juíza abriu o julgamento
sugerindo sete anos de prisão. A defesa de Marin usou como argumento
principalmente a idade do réu, informando que a média de idade dos prisioneiros
nos Estados Unidos é de 36 anos. O ex-presidente da CBF, por sua vez,
lembrou-se da esposa, Neusa Marin, de 79 anos, em seu depoimento.
- Jesus carregou uma cruz. Eu
carrego duas, a minha e a da minha mulher - declarou ele, antes de ir às
lágrimas.
Corte do Brooklyn em que Marin
está sendo julgado (Foto: Camilo Pinheiro / GloboEsporte.com)
A reação de José Maria Marín
fugiu do script do julgamento. Em determinado momento, sequer o tradutor que
estava ao seu lado conseguiu acompanhá-lo. É por isso que a juíza se viu
obrigada a conceder um intervalo. Minutos depois, a sessão foi retomada. A
sentença sai ainda nesta quarta-feira, a qualquer momento.
Há exatamente oito meses, em
dezembro de 2017, José Maria Marin foi considerado, na mesma corte, culpado de
seis dos sete crimes pelos quais foi acusado pela promotoria da Justiça
americana. São eles: organização criminosa (1x), fraude bancária (3x) e lavagem
de dinheiro (2x). Eles estão ligados a Copa Libertadores da América, Copa do
Brasil e Copa América e cometidos foram entre os anos 2012 e 2015, período em
que Marin foi presidente da CBF. Na mesma ocasião, no fim do ano passado, o
cartola foi absolvido de acusação de lavagem de dinheiro relativa à Copa do
Brasil.
Marin não esteve sozinho. Nesse
mesmo julgamento, o júri popular formado na corte, em Nova York, também
condenou o ex-presidente da CONMEBOL e da Associação Paraguaia de Futebol Juan
Angel Napout por organização criminosa e fraude bancária.
Tanto Napout quanto Marin foram,
no dia 22 de dezembro de 2017, para a penitenciária MDC no Brooklyn, famosa
pelas más condições dadas aos prisioneiros. Segundo a promotoria, Marin recebeu
ao todo U$ 6,5 milhões de propina de empresas de marketing esportivo para
assinar contratos de direitos comerciais de competições de futebol na América
do Sul.
Os advogados de Marin
argumentaram que deveria ter sido considerado tempo em que o ex-presidente da
CBF ficou preso, por isso, pediram a liberação dele imediatamente. Marin está
detido na penitenciária do Brooklyn desde a sua condenação no final de dezembro
passado.
A investigação feita pela justiça
americana se tornou pública em maio de 2015, quando José Maria Marin e mais
cinco dirigentes de futebol de outros países foram presos em um hotel na Suíça.
À época, o dirigente brasileiro aceitou ser extraditado para os Estados Unidos
e ficou de 2015 a dezembro de 2017 em prisão domiciliar, em seu apartamento de
luxo, no prédio Trump Tower, em uma das áreas mais caras de Nova York.
Ex-presidentes da CBF, Ricardo
Teixeira e Marco Polo Del Nero (que foi suspenso pela FIFA) também foram
denunciados pela justiça americana por receber propina e cometer os mesmos
crimes pelos quais Marin foi condenado. Mas como o Brasil, por lei, não
extradita seus cidadãos, eles não são julgados em Nova York.

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